quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Segunda aula e o Intervalo Conturbado

Olha... Foi bem legal a conversa que tivemos com a diretora. Viagem, festas pra arrecadação de dinheiro, bingo. Só coisa boa. A comissão de formatura será definida amanhã. Como eu sei que não adianta eu me candidatar, vou ficar no meu canto. A reunião será com os pais também. Até porque acredito que aqui NINGUÉM tem idade pra abrir uma conta no banco. Acho que resumindo as pessoas da comissão serão nossos pais. Pelo que entendi os alunos da comissão serão responsáveis pela arrecadação do dinheiro em festas, e coisas do gênero.
Enquanto fazia minhas anotações sobre o que tinha acontecido hoje, a diretora chegou pra mim e disse: “Já fale com seu pai, pra que ele participe como tesoureiro”. Meu pai é tesoureiro da Igreja, acredito que isso chame um pouco atenção pro lado dele.
Toda essa conversa consumiu uma aula inteira do Profº Gabriel. Então bateu o sinal pro recreio, intervalo melhor dizendo (soa muito infantil, e eu já estou na 8ª série, pelo amor de Deus). Fui comprar meu lanche (esse não é infantil).
Enquanto estava na fila tagarelando com a Thá sobre o tal do clip que ela viu, mas eu não, do BSB, não tinha notado que quem estava na fila ao lado, parecendo prestar atenção, até porque tínhamos mudado nosso assunto e estávamos falando de Christina Aguilera e Britney Spears, era o Leandro. Quando isso aconteceu, eu simplesmente travei, e é lógico que ele percebeu, foi aí que ele dirigiu pela primeira vez a palavra a mim: “A... Desculpa. Não queria atrapalhar, mas é que é muito engraçado ver vocês duas tagarelando sobre gente famosa, como se vocês conhecessem”. Eu nem estava prestando atenção no que ele estava falando (fui saber o que ele disse, depois quando ela me contou nos mínimos detalhes), apenas no movimento dos lábios, e imaginando como seria lindo se ele fosse meu namorado. Foi aí que voltei ao meu corpo e ouvi a Thá aos berros (ao que parece a Thá tomou as dores por nós duas, provável que percebeu que eu estava no mundo da Lua), dizendo coisas que é melhor eu não escrever aqui. Resumindo ela disse: “Vai plantar batata (usei esse termo, porque foi o mais perto que consegui chegar do que ela realmente falou) Leandro! Você é um nada, meu. Sai daqui! Vai procurar sua turminha infame, vai!”. Quando voltei totalmente em si, percebi o quão grosso ele tinha sido com a gente. Poxa! Ele não era fanático pelo time dele? Sabia o nome de todos os jogadores. Se marcar, sabia até o que eles comiam nas refeições, então por que pegar pesado com a gente?
Cara... Esse menino tem realmente problema na cabeça. É lindo, mas tem problema.
Comemos nosso lanche no nosso canto de sempre (entre a casinha de boneca e o laguinho) totalmente em silêncio. A Thá tava muito nervosa. Foi aí que lembrei do que eu tinha comprado pra ela, e logo vi o sorriso e seus olhos brilhando novamente: “Jura Lile que você comprou um pôster dos Hanson pra mim?”. E eu respondi toda alegre: “Sim!!! E eles estão gatos demais!!!”. Não preciso dizer que ela deu um grito e me deu um beijo no rosto. Eu sei muito bem a alegria dela, porque quando compro algo referente ao BSB quase morro do coração olhando e olhando. Também não preciso dizer que com o grito dela, todo mundo ficou olhando pra nós. Mas nas alturas do campeonato (depois do meu tombo público na porta do ônibus) eu nem ligo mais se me olham.
O sinal tocou. Preciso ir.


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Ainda na Primeira Aula

Depois de o Profº Gabriel passar no quadro suas novas (velhas, na minha opinião) exigências, ele disse para escrevermos nossas expectativas pra este ano. Tudo isso, porque é o nosso último ano no Primeiro Grau, vamos fazer a colação, festa e viagem de final de ano com a turma (pelo menos uma parte dela, já que algumas pessoas já falaram que só vão fazer a colação e a participar da festa).
Como eu não consigo deixar de escrever aqui, e o professor disse que não precisávamos entregar, finjo que estou escrevendo o que ele pediu, e fica tudo bem. É que é meio vergonhoso escrever num diário quando se tem QUASE 14 anos (completo no dia 10 de março).
A Renata acabou de virar pra trás perguntando se eu vou viajar. A Re é muito gente boa. Louca muitas vezes, mas eu dou altas risadas quando estou com ela. Acho que é mais ou menos isso que importa. Ela entende muito bem o que eu passo com meu cabelo. Ela vive dizendo que quando tivermos como pagar nossas próprias contas, vai alisar o cabelo. Eu queria também alisar, mas minha mãe teria um treco. Eu respondi pra ela que, ‘acho que vou sim. Não falei com meus pais, mas como estamos falando isso desde o final do ano passado, eles devem lembrar’. Rimos juntas e ela virou pra frente pra escrever. Sabe, ela escreve muito bem. Tem umas poesias lindas. Ela não deixa me copiar, mas pode acreditar em mim quando digo que ela tem talento. Ainda mais porque ela diz que é puro hobbie.
Não me leve a mal por sentir vergonha, achar que é um mico total ter diário na idade que eu tenho, embora minha mãe sempre diga que é bom se expressar (apesar de eu achar que ela só deu a idéia do diário pra ficar sabendo mais coisas sobre minha vida particular), é que já é difícil tentar ser popular e não ter os quesitos certos (peitos, altura, cabelos lindos, esvoaçantes e coisas do gênero), se é que você entende o que quero dizer.
Até hoje, nos ranques das popularidades, eu consegui o de melhor jogadora de Handball (que não é uma coisa ruim, já que eu gosto muito de jogar), o de mais legal (Tá! Grande coisa!) e o de melhor atleta (fica elas por elas em relação a ser a melhor jogadora). Então eu acabo sendo estranha por escrever em um diário.
A Thá sempre diz que parece até que eu não tenho amigas. Eu tenho amigas, que, aliás, são 4 (Lari, Re, Thá e Ale)! E tenho as colegas de turma, que, de acordo com a Lari, sentem inveja de mim. ACREDITE! Não consigo IMAGINAR do que elas podem ter inveja. Aí ela complementou explicando que, 'é pelo fato de você fazer amizade muito fácil com os meninos. Elas quase arrancam os cabelos umas das outras quando vêem você conversando super a vontade com os meninos'. LÓGICO! Eu treino no mesmo horário que os deles, sim, eu treino com as meninas também, mas gosto de aprender jogadas novas, então aproveito que são meus amigos, e treino uma meia hora com eles. É daí que vem a tal da inveja, ou ciúmes, sei lá. Eu acabo me aproximando mais deles, conversamos, damos risadas, e as amizades acabam por acontecerem sozinhas. Elas tem inveja, porque gostam deles, e acabam por não ter coragem de conversar. Só sabem rir, bem na verdade, coisa que eu acabo achando muito engraçado da parte delas. Por que elas começam a rir feito loucas, como se o assunto delas fosse o mais engraçado do mundo todo, mas bem no fim, eu que sempre estou perto (perto, não no grupo) vejo que não tinha assunto nenhum? Deve ser por isso que os meninos ficam meio assim de ir conversar com elas. Até porque o suspiro delas é muito mais alto do que o normal.
Ser popular por ser atleta é uma coisa boa, mas acredite, não ajuda em coisa nenhuma em questão de ficar com os caras.
(Retrospectiva do meu primeiro beijo: eu tinha 12 anos. Foi numa festa tradicional da Igreja onde meus pais sempre trabalhavam e não tinham tempo de conversar comigo. Tá! Não foi DENTRO da Igreja. Foi num campinho que tinha lá atrás (hoje o campinho foi destruído, acredito que muitas outras pessoas faziam a mesma coisa que eu fiz)). Bom a questão é que, meu primeiro beijo foi legal, tirando lógico o local, mas a gente não pode exigir muito quando se tem 12 anos e se considera praticamente um alienígena. Foi de língua e tudo. Agora me pergunte quando eu dei o segundo!!! Resposta: NUNCA MAIS!!! Deprimente, mas é verdade. Até esse presente momento, ninguém mais foi corajoso o suficiente pra me beijar. Eu até que não os culpo, embora não os entenda. Vivem dizendo que sou muito legal e que por isso não conseguem imaginar ficando comigo. MENTIRA! Ser legal é a mesma coisa que dizerem: "você não é bonita e eu tenho uma reputação a zelar".
Nossa! Fiquei viajando na maionese aqui, lembrando do meu primeiro beijo, o quanto medo, vergonha, arrepios eu senti naquele momento. Puxa! A sim. Eu conhecia o garoto, antes que achem que eu saio beijando qualquer um por aí (colocamos aqui um tópico que, eu fui à primeira das meninas a dar um beijo de língua. Até hoje não acredito nisso. Mas, o fato é que, depois que as patricinhas ficaram sabendo disso, trataram de correr atrás do “prejuízo”. E aí quem ficou parada no primeiro fui eu. Enquanto que elas, bem... Acho que não vem ao caso. E um outro tópico que digo que eu jamais sairia a procura de alguém pra beijar porque sei dos meus limites (e olha que eles são muitos)).
O sinal pra segunda aula bateu. Continuamos com o mesmo professor, porém a diretora do colégio a Manuela, entrou na sala pra falar sobre nossa formatura. Vou ouvir porque isso muito me interessa.



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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Primeira aula: Português com o Profº Gabriel

Odeio ter que vir pra aula.
Estou sentada na segunda fileira, da parede pro meio da sala, no penúltimo lugar. E pensando como eu amo o Leandro. Ahh... Eu não falei dele, né? Pois bem. O Leandro é mais velho. Já está no Segundo Grau. (Deve ser por isso que ele não me olha). Na realidade, ele está no Primeiro Ano do Segundo Grau. A porta da sala dele é virada pra porta da minha sala, mas eu não consigo ver onde ele está, até porque eu sento no fundão. Só as vezes que acontece um milagre (ou quando a professora de Matemática Louize me põe na frente), que consigo ver direitinho ele estudando. A porta deles geralmente fica aberta, e a nossa, mesmo fechada, é de vidro, então dá pra ver super bem. É nesse momento que eu levo pau em Matemática. Eu simplesmente ODEIO matemática. O professor Gabriel entrou. Ele é legal. Talvez eu o ache legal, porque gosto muito de escrever e português me fascina (lógico, não as regras de sintaxe ou coisas que eu simplesmente não lembro o nome).
Vou ouvir o que o professor tem a dizer. Acredito que não seja muita coisa, visto que já tínhamos aula com ele ano passado. Então acho que não tem muita apresentação.
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Primeiro dia de Aula

É... Eu não imaginava que meu primeiro dia de aula, na 8ª série seria tão conturbado assim.
Primeiro motivo: assim que subi para o ônibus, que pego na frente de casa, eu errei o pé, e ele me fez bater o queixo na escada, suja, porque estava chovendo.
Medo de entrar, mas se eu voltasse pra casa, à única coisa que eu iria conseguir era acordar minha mãe, pois ela não acordava junto comigo às 6 da matina, ela iria gritar comigo e me mandar voltar pro colégio a pé. Visto todos esses problemas, resolvi enfrentar um pesadelo maior ainda, entrar no ônibus, aonde vem o segundo motivo: o amor da minha vida estava lá, rindo de mim, claro, junto com todos os seus amigos que eu poderia jurar que chegariam no colégio e iriam direto pro banheiro, já que riram demais da queda daquela menina de cabelo grande, feio e cheio de grampos.
A minha vida como aluna que estava pra ter uma formatura de 1º Grau no final do ano, não começou bem.
Sentei com a minha melhor amiga, Lari, seu nome era Larissa, mas eu a chamava assim desde... Bom, desde nossos 7 anos de idade. Na verdade 6 anos dela, ela é um ano mais nova que eu, mas estuda na mesma turma. História longa, melhor deixar pra lá. Legal que ela também estava rindo, e eu pensei, 'legal, até ela que deveria me apoiar, está rindo como uma louca no banco, que, aliás, era na frente do Leandro. Mas acabou que nossa conversa foi assim:
Lari: "Oi!", quase não conseguindo segurar o riso.
Lile: "Quero morrer", me afundando pra ver se sumia no banco.
Lari: " Ah... não foi tão feio assim", ela estava um pouco mais séria, mas quer saber, não acreditei.
Lile: "Pára né? Foi a pior coisa que poderia ter me acontecido em todos os anos que já passei nesse colégio e por todos que irei passar". Pura verdade.
Logo depois, a Thaís subiu no ônibus. Logo foi informada sobre meu tombo. A Thaís, Thá, está no colégio desde a 6ª série, e é uma grande amiga que conquistei desde então, até porque ela acabou tornando-se fã alucinada da banda Hanson, americana. Possui uma paixão platônica pelo Taylor Hanson, Tay. E eu amo de paixão os Backstreet Boys, particularmente o Nickolas Gene Carter, Nick pros mais chegados. A gente compra tudo juntas, assiste todos os programas que passam sobre eles, obviamente que os gravamos, pra poder rever depois detalhes que não pegamos na primeira olhada, cantamos as músicas, enfim, toda aquela loucurada que fãs muito bem estruturadas fazem por seus ídolos.
Ela já olhou pra mim com a cara mais preocupada do mundo: 'Tá tudo bem com você?'. Gosto disso nela. Tenho certeza que ela sentiu vontade de rir, mas ficou muito mais preocupada comigo. Respondi um pouco baixo, pra que o Leandro não me ouvisse:'Tirando o fato que vou ser motivo de piada pro colégio inteiro, outra vez, está tudo bem'.
Ela sentou ao meu lado, no banco do lado esquerdo do ônibus, mas como eu estava no lado do corredor, ficou mais fácil pra conversamos, e até chegarmos ao colégio falamos de coisas melhores: Hanson e BSB. Ela me contou que viu alguns clips novos na internet. Abro aqui um parenteses ENORMES pra dizer que a internet não é algo muito procurado ainda, visto que estamos no ano de 1999. Mas tem as pessoas que as possui e pode conseguir mais coisas do que os meros mortais.
Continuou dizendo que, 'Caraca!!! Você deveria ver aquele clip: Quit Playing Games With My Heart. É demais. O BSB todo sarado, na água. Muito massa. Já sei. Depois da aula você poderia ir lá em casa. O que acha?'. Eu estava toda empolgada, quando lembrei da minha aula de música que eu tinha a tarde. 'Tem que ser depois das 5, porque tenho aula de teclado'. Ela disse que não tinha problema, que ia ficar em casa a tarde toda.
Será possível que eu sou a única que os pais precisam encarecidamente, além de mandar toda manhã pro colégio, mandar em outras aulas extras? Não que eu não goste de estudar música, mas é que às vezes, sinto falta de não ter nada pra fazer na semana. É até engraçado eu falar isso, já que eu NUNCA tive um dia de folga na semana.
Acabamos combinando então que assim que eu saísse da aula, que, aliás, ficava bem perto da casa dela, era pra eu ir direto pra lá. Mal sabia eu, que isso iria significar o holocausto lá em casa.
Saindo do ônibus rezei pra ninguém me parasse. Por isso saí correndo, como se precisasse ir ao banheiro. Admito, nessa corrida, quase caí enquanto subia para a porta principal que dá para todas as salas do corredor superior, mas fui firme, e nem olhei pra trás pra não ver ninguém mais rindo da minha cara.
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