É... Eu não imaginava que meu primeiro dia de aula, na 8ª série seria tão conturbado assim.
Primeiro motivo: assim que subi para o ônibus, que pego na frente de casa, eu errei o pé, e ele me fez bater o queixo na escada, suja, porque estava chovendo.
Medo de entrar, mas se eu voltasse pra casa, à única coisa que eu iria conseguir era acordar minha mãe, pois ela não acordava junto comigo às 6 da matina, ela iria gritar comigo e me mandar voltar pro colégio a pé. Visto todos esses problemas, resolvi enfrentar um pesadelo maior ainda, entrar no ônibus, aonde vem o segundo motivo: o amor da minha vida estava lá, rindo de mim, claro, junto com todos os seus amigos que eu poderia jurar que chegariam no colégio e iriam direto pro banheiro, já que riram demais da queda daquela menina de cabelo grande, feio e cheio de grampos.
A minha vida como aluna que estava pra ter uma formatura de 1º Grau no final do ano, não começou bem.
Sentei com a minha melhor amiga, Lari, seu nome era Larissa, mas eu a chamava assim desde... Bom, desde nossos 7 anos de idade. Na verdade 6 anos dela, ela é um ano mais nova que eu, mas estuda na mesma turma. História longa, melhor deixar pra lá. Legal que ela também estava rindo, e eu pensei, 'legal, até ela que deveria me apoiar, está rindo como uma louca no banco, que, aliás, era na frente do Leandro. Mas acabou que nossa conversa foi assim:
Lari: "Oi!", quase não conseguindo segurar o riso.
Lile: "Quero morrer", me afundando pra ver se sumia no banco.
Lari: " Ah... não foi tão feio assim", ela estava um pouco mais séria, mas quer saber, não acreditei.
Lile: "Pára né? Foi a pior coisa que poderia ter me acontecido em todos os anos que já passei nesse colégio e por todos que irei passar". Pura verdade.
Logo depois, a Thaís subiu no ônibus. Logo foi informada sobre meu tombo. A Thaís, Thá, está no colégio desde a 6ª série, e é uma grande amiga que conquistei desde então, até porque ela acabou tornando-se fã alucinada da banda Hanson, americana. Possui uma paixão platônica pelo Taylor Hanson, Tay. E eu amo de paixão os Backstreet Boys, particularmente o Nickolas Gene Carter, Nick pros mais chegados. A gente compra tudo juntas, assiste todos os programas que passam sobre eles, obviamente que os gravamos, pra poder rever depois detalhes que não pegamos na primeira olhada, cantamos as músicas, enfim, toda aquela loucurada que fãs muito bem estruturadas fazem por seus ídolos.
Ela já olhou pra mim com a cara mais preocupada do mundo: 'Tá tudo bem com você?'. Gosto disso nela. Tenho certeza que ela sentiu vontade de rir, mas ficou muito mais preocupada comigo. Respondi um pouco baixo, pra que o Leandro não me ouvisse:'Tirando o fato que vou ser motivo de piada pro colégio inteiro, outra vez, está tudo bem'.
Ela sentou ao meu lado, no banco do lado esquerdo do ônibus, mas como eu estava no lado do corredor, ficou mais fácil pra conversamos, e até chegarmos ao colégio falamos de coisas melhores: Hanson e BSB. Ela me contou que viu alguns clips novos na internet. Abro aqui um parenteses ENORMES pra dizer que a internet não é algo muito procurado ainda, visto que estamos no ano de 1999. Mas tem as pessoas que as possui e pode conseguir mais coisas do que os meros mortais.
Continuou dizendo que, 'Caraca!!! Você deveria ver aquele clip: Quit Playing Games With My Heart. É demais. O BSB todo sarado, na água. Muito massa. Já sei. Depois da aula você poderia ir lá em casa. O que acha?'. Eu estava toda empolgada, quando lembrei da minha aula de música que eu tinha a tarde. 'Tem que ser depois das 5, porque tenho aula de teclado'. Ela disse que não tinha problema, que ia ficar em casa a tarde toda.
Será possível que eu sou a única que os pais precisam encarecidamente, além de mandar toda manhã pro colégio, mandar em outras aulas extras? Não que eu não goste de estudar música, mas é que às vezes, sinto falta de não ter nada pra fazer na semana. É até engraçado eu falar isso, já que eu NUNCA tive um dia de folga na semana.
Acabamos combinando então que assim que eu saísse da aula, que, aliás, ficava bem perto da casa dela, era pra eu ir direto pra lá. Mal sabia eu, que isso iria significar o holocausto lá em casa.
Saindo do ônibus rezei pra ninguém me parasse. Por isso saí correndo, como se precisasse ir ao banheiro. Admito, nessa corrida, quase caí enquanto subia para a porta principal que dá para todas as salas do corredor superior, mas fui firme, e nem olhei pra trás pra não ver ninguém mais rindo da minha cara.
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