quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Ainda na Primeira Aula

Depois de o Profº Gabriel passar no quadro suas novas (velhas, na minha opinião) exigências, ele disse para escrevermos nossas expectativas pra este ano. Tudo isso, porque é o nosso último ano no Primeiro Grau, vamos fazer a colação, festa e viagem de final de ano com a turma (pelo menos uma parte dela, já que algumas pessoas já falaram que só vão fazer a colação e a participar da festa).
Como eu não consigo deixar de escrever aqui, e o professor disse que não precisávamos entregar, finjo que estou escrevendo o que ele pediu, e fica tudo bem. É que é meio vergonhoso escrever num diário quando se tem QUASE 14 anos (completo no dia 10 de março).
A Renata acabou de virar pra trás perguntando se eu vou viajar. A Re é muito gente boa. Louca muitas vezes, mas eu dou altas risadas quando estou com ela. Acho que é mais ou menos isso que importa. Ela entende muito bem o que eu passo com meu cabelo. Ela vive dizendo que quando tivermos como pagar nossas próprias contas, vai alisar o cabelo. Eu queria também alisar, mas minha mãe teria um treco. Eu respondi pra ela que, ‘acho que vou sim. Não falei com meus pais, mas como estamos falando isso desde o final do ano passado, eles devem lembrar’. Rimos juntas e ela virou pra frente pra escrever. Sabe, ela escreve muito bem. Tem umas poesias lindas. Ela não deixa me copiar, mas pode acreditar em mim quando digo que ela tem talento. Ainda mais porque ela diz que é puro hobbie.
Não me leve a mal por sentir vergonha, achar que é um mico total ter diário na idade que eu tenho, embora minha mãe sempre diga que é bom se expressar (apesar de eu achar que ela só deu a idéia do diário pra ficar sabendo mais coisas sobre minha vida particular), é que já é difícil tentar ser popular e não ter os quesitos certos (peitos, altura, cabelos lindos, esvoaçantes e coisas do gênero), se é que você entende o que quero dizer.
Até hoje, nos ranques das popularidades, eu consegui o de melhor jogadora de Handball (que não é uma coisa ruim, já que eu gosto muito de jogar), o de mais legal (Tá! Grande coisa!) e o de melhor atleta (fica elas por elas em relação a ser a melhor jogadora). Então eu acabo sendo estranha por escrever em um diário.
A Thá sempre diz que parece até que eu não tenho amigas. Eu tenho amigas, que, aliás, são 4 (Lari, Re, Thá e Ale)! E tenho as colegas de turma, que, de acordo com a Lari, sentem inveja de mim. ACREDITE! Não consigo IMAGINAR do que elas podem ter inveja. Aí ela complementou explicando que, 'é pelo fato de você fazer amizade muito fácil com os meninos. Elas quase arrancam os cabelos umas das outras quando vêem você conversando super a vontade com os meninos'. LÓGICO! Eu treino no mesmo horário que os deles, sim, eu treino com as meninas também, mas gosto de aprender jogadas novas, então aproveito que são meus amigos, e treino uma meia hora com eles. É daí que vem a tal da inveja, ou ciúmes, sei lá. Eu acabo me aproximando mais deles, conversamos, damos risadas, e as amizades acabam por acontecerem sozinhas. Elas tem inveja, porque gostam deles, e acabam por não ter coragem de conversar. Só sabem rir, bem na verdade, coisa que eu acabo achando muito engraçado da parte delas. Por que elas começam a rir feito loucas, como se o assunto delas fosse o mais engraçado do mundo todo, mas bem no fim, eu que sempre estou perto (perto, não no grupo) vejo que não tinha assunto nenhum? Deve ser por isso que os meninos ficam meio assim de ir conversar com elas. Até porque o suspiro delas é muito mais alto do que o normal.
Ser popular por ser atleta é uma coisa boa, mas acredite, não ajuda em coisa nenhuma em questão de ficar com os caras.
(Retrospectiva do meu primeiro beijo: eu tinha 12 anos. Foi numa festa tradicional da Igreja onde meus pais sempre trabalhavam e não tinham tempo de conversar comigo. Tá! Não foi DENTRO da Igreja. Foi num campinho que tinha lá atrás (hoje o campinho foi destruído, acredito que muitas outras pessoas faziam a mesma coisa que eu fiz)). Bom a questão é que, meu primeiro beijo foi legal, tirando lógico o local, mas a gente não pode exigir muito quando se tem 12 anos e se considera praticamente um alienígena. Foi de língua e tudo. Agora me pergunte quando eu dei o segundo!!! Resposta: NUNCA MAIS!!! Deprimente, mas é verdade. Até esse presente momento, ninguém mais foi corajoso o suficiente pra me beijar. Eu até que não os culpo, embora não os entenda. Vivem dizendo que sou muito legal e que por isso não conseguem imaginar ficando comigo. MENTIRA! Ser legal é a mesma coisa que dizerem: "você não é bonita e eu tenho uma reputação a zelar".
Nossa! Fiquei viajando na maionese aqui, lembrando do meu primeiro beijo, o quanto medo, vergonha, arrepios eu senti naquele momento. Puxa! A sim. Eu conhecia o garoto, antes que achem que eu saio beijando qualquer um por aí (colocamos aqui um tópico que, eu fui à primeira das meninas a dar um beijo de língua. Até hoje não acredito nisso. Mas, o fato é que, depois que as patricinhas ficaram sabendo disso, trataram de correr atrás do “prejuízo”. E aí quem ficou parada no primeiro fui eu. Enquanto que elas, bem... Acho que não vem ao caso. E um outro tópico que digo que eu jamais sairia a procura de alguém pra beijar porque sei dos meus limites (e olha que eles são muitos)).
O sinal pra segunda aula bateu. Continuamos com o mesmo professor, porém a diretora do colégio a Manuela, entrou na sala pra falar sobre nossa formatura. Vou ouvir porque isso muito me interessa.



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